Pular para o conteúdo
Início » Quando o mundo ficou rápido demais para quem passou dos 60

Quando o mundo ficou rápido demais para quem passou dos 60

Um dia desses, pensei: quando foi que o mundo ficou tão rápido para nós, que já passamos dos 60?

Para você ter uma ideia, outro dia fiquei parada diante do caixa de autoatendimento do mercado.

Eu não sabia o que fazer.

Uma moça atrás de mim apertava os pés no chão, impaciente.

O visor da máquina piscava.

Enquanto isso, eu olhava para a máquina e, por incrível que pareça, a máquina parecia me olhar também.

Naquele instante, entendi que não era apenas uma máquina que eu não sabia usar, e sim, era o mundo que eu não sabia usar.

Quando foi que, de repente, tudo ficou rápido demais?

Ora, minha geração cresceu devagar.

Nós, da geração nascida entre 1946 e 1964, crescemos em um tempo diferente.
Em nosso tempo, as coisas mudavam, mas mudavam aos poucos.

Quando aprendíamos algo, era observando alguém fazer.
Não havia plateia.
E, o melhor de tudo era que tínhamos tempo para aprender e entender o que estava acontecendo.

Hoje, não é mais assim.

Com essas novas tecnologias, tudo muda rapidamente:

Quando o dia amanhece, vemos que o aplicativo mudou.
Não só o aplicativo, o banco mudou, o celular, o ônibus.
Até para comprar pão, às vezes precisa de senha. rsrsrsrs

Leia também:

Quando finalmente julgamos que aprendemos, surge uma atualização… e voltamos à estaca zero.

É como tentar aprender um idioma cuja gramática muda toda semana.

Quando o mundo ficou rápido demais: O medo de parecer incapaz

Creio que para nós, a maior dificuldade nem seja aprender a tecnologia e sim, o medo de não conseguir aprender.

Porque para quem nasceu nesse mundo digital tudo parece óbvio, quase natural. mas para nós, não é.

Em algumas ocasiões, evito mexer nos equipamentos e até dá vontade de desistir, mas…
…não estamos aqui para desistir.

Se desistirmos, sem perceber, estamos a um passo de reduzir nossa autonomia.

Aos poucos, ficaremos mais dependentes e frágeis.
Além disso, há outro perigo: os golpes.

Segundo pesquisas, os idosos se tornaram alvos fáceis dos golpes, justamente porque confiam mais e conhecem menos os mecanismos da internet.

Por isso, aprender deixou de ser opcional e passou a ser um mecanismo de proteção.

Nessa mundo que se tornou tão rápido, ainda podemos aprender

Ainda bem que nem tudo está perdido, pois existe uma boa e importante notícia:

Há estudos indicam que o cérebro nunca para de se desenvolver. Que bom!
Com isso, podemos continuar aprendendo a vida inteira.

No nosso ritmo, sim.
Está certo que ficamos mais devagar.
Mesmo assim, aprendemos.

Não precisamos dominar tudo de uma vez.
Só precisamos dominar o suficiente para não sermos tão dependentes.

Nesse sentido, a própria internet passa a ser uma grande aliada.

Já conseguimos assistir a vídeos com tutoriais que explicam tudo passo a passo.
Além do mais, há cursos gratuitos aos montes na internet.

Acesse o site InfoEducação e veja os cursos gratuitos que eles recomendam.

Ou então, apele para os netos.

Nessas horas, até os netos viram professores.

Não é humilhante pedir ajuda.
Humilhante é desistir de viver por medo.

Nesse mundo tão rápido, não se deixe levar pelo silêncio da aposentadoria.

Depois de tudo, vem a tão sonhada aposentadoria.

Durante a vida inteira sonhamos com ela, mas quando finalmente chega, parece que se instala um vazio em nós.

Não é à toa, pois, durante décadas, fomos definidos pela nossa profissão.
Ou se era médico, engenheiro, advogado, professor, bancário, mecânico…
De repente, não somos mais.

E aparece um vazio difícil de explicar.

Agora os dias parecem mais longos, pois o telefone toca menos.
E aquela sensação incômoda surge: “Será que ainda sou útil?”

A resposta é simples: É claro que somos.

Quem sabe até mais do que antes!

A diferença é que  não precisamos produzir como antes, agora transmitimos conhecimentos, aconselhamos, ouvimos, enfim, contamos histórias.

Isso é muito significativo e gratificante.

Quando o mundo fica rápido demais, a solidão que chega sem avisar

Ao longo do tempo, alguns amigos partem.
Outros adoecem.
Os filhos seguem suas rotinas e os netos, inevitavelmente, crescem.
A casa, antes cheia e barulhenta, agora fica silenciosa.

De uma hora para outra, a solidão chega, sem avisar.
Mas, antes que ela se instale em nossa rotina, precisamos agir conscientemente.

Por este motivo é importante:

  • Manter vínculos
  • Participar de grupos
  • Caminhar
  • Conversar
  • Sair de casa mesmo sem vontade

Por um momento, podemos até pensar, que a solidão é um descanso.

Mas, como tudo na vida,

quando se torna permanente, o isolamento da solidão não é descanso.
E, em muitos casos, pode até se tornar um risco.

Quando sentimos que o mundo ficou rápido demais, aceitar ajuda também é maturidade

Desde jovens, aprendemos a ser independentes.

Mas, com o passar dos anos e, infelizmente, a dor chega.

E sem perceber, algumas habilidades físicas e mentais já não são as mesmas.
Para nós é um duro golpe ter que aceitar nossas limitações e pedir ajuda.

Mas pedir ajuda não significa incapacidade.

Pelo contrário, significa que temos  inteligência emocional.

Sobretudo, a inteligência emocional, consiste em reconhecer que envelhecer faz parte da vida.

E que nessa fase, precisamos nos adaptar e aprender novas habilidades.

Nesse mundo que se tornou rápido demais, não pense que é o fim. Pense que estamos em outra fase da vida.

Sim, o tempo passa e os projetos quase sempre ficam pelo caminho.

Nosso corpo muda e isso assusta, um pouco.

Não só isso, o que mais assusta é a consciência da finitude, que se torna cada vez mais presente.

Mas existe algo que também cresce com a idade:
A compreensão do que importa de verdade.

Quando a juventude representa o tempo de construir, a maturidade nos ensina que é tempo de entender, de aprender, de rir, ensinar e amar.

Temos a impressão de que o mundo mudou depressa demais.

Só que ainda estamos aqui e que o envelhecer não precisa ser ladeira abaixo.

Porém, somos conscientes de que, agora, subiremos outro tipo de montanha.
Uma montanha mais silenciosa, mais profunda e que, até nos parece mais bonita.

Para finalizar deixo um versículo, para sua meditação:

Então Jesus declarou: “Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mim nunca terá fome; aquele que crê em mim nunca terá sede.
 João 6:35

Se este texto fez sentido para você, compartilhe com alguém que também esteja aprendendo a envelhecer em um mundo que mudou rápido demais para nós.

Obrigada pelo carinho de sua leitura!

Um abraço fraterno!

Deus te abençoe!

Com carinho,

Vânia Mayre

A minha alma descansa somente em Deus; dEle vem a minha salvação.
(Salmos 62:1)

🌸🌸🌸

Leia também:

Recomeçar depois dos 60: Ainda há muito caminho pela frente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *