A importância da fé diante da perda
A vida após a perda de um ente querido muda muito. Já se passaram noventa dias após o falecimento de minha mãe, mas minha dor e perplexidade diante da perda ainda não diminuíram tanto quanto eu esperava.
É estranho! Foge à compreensão! Como nossa vida pode ser tão fugaz?
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Se não fosse pela fé em Deus e pela esperança na salvação em Cristo, creio que nossa vida aqui não teria nenhum sentido. Mas, nos sentimos renovadas quando cremos na promessa de Jesus no Evangelho de João:
Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;
João 11:25 | ACF
Encontro na fé a única explicação razoável para nos mantermos em pé diante da perda tão devastadora de ente querido.
Quando atingimos a faixa dos 60 anos, inevitavelmente nos deparamos com circunstâncias que fogem de nosso controle. Não que não tenhamos alegrias, mas questões como perdas e luto, por exemplo, ficam cada vez mais evidentes.
Já te falei em outra ocasião sobre como ser fiel a Deus em tempos trabalhosos. É claro que continuo com meus projetos e me alegro de vez em quando, com minhas conquistas, mas não é fácil.
Pensei que a dor passaria com o tempo, mas não. Mesmo após noventa dias, ela ainda continua batendo forte aqui dentro do peito, mas creio que cada pessoa tem seu tempo e seu jeito próprio para viver essa fase de luto.
Veja o exemplo do salmista Davi: enquanto o filho estava doente, ele orou, jejuou e se contristou. Depois que o filho morreu, ele trocou de roupa, se perfumou e se alimentou, porque reconheceu que não havia mais nada que pudesse fazer.
Então, esse foi o jeito de Davi viver sua perda. Assim como Davi, cada um tem o seu jeito.
Nosso Jeito Próprio de Enfrentar a Dor
Cada um de nós tem nosso próprio jeito de enfrentar a dor da perda de um ente querido.
A minha forma me surpreendeu porque não consegui chorar no velório de minha mãe. No entanto, se é que dá para descrever, é como se houvesse um rio de lágrimas represadas dentro de mim.
A Ilustração do Coqueiro: Lágrimas Represadas
Lembrei de algo na infância que pode servir como ilustração: havia dois coqueiros em frente de minha casa. Um dia meu pai cismou e cortou um dos coqueiros pelo tronco.
Dia após dia, eu via a seiva do coqueiro chegar lentamente até aquele tronco e se derramar. Não sei quanto tempo durou, mas me pareceu uma eternidade.
Aquela cena me entristecia muito porque eu associava a seiva às lágrimas da dor do coqueiro por não encontrar mais a continuidade do tronco. Havia ali uma vida interrompida. Ainda hoje essa lembrança dói em meu coração.
Por que será que lembrei dessa seiva se derramando suavemente pelo tronco do coqueiro? Será que minhas lágrimas, tal como essa seiva, chegam à superfície de meus olhos e lá se recusam a se derramar?
Será que minhas lágrimas são a seiva que me une às lembranças de minha mãe. Não consigo entender porque sempre fui muito chorona. Choro por bobagem.
A Sunamita: Coragem e Fé Após a Perda de seu Filho
Já a sunamita enfrentou a perda de seu filho de forma valente e valorosa.
Quando a profecia do profeta Eliseu se cumpriu em sua vida e ela gerou um filho em idade avançada, já crescido, o menino teve uma dor de cabeça (deve ter sido um mal súbito) e morreu repentinamente.
À primeira vista, sua reação pode nos lembrar aquilo que hoje chamamos de negação diante de uma perda.
Disse ao marido que estava tudo bem, mas decidida, pediu para preparar um dos empregados e uma jumenta para que ela fosse até o profeta.
No caminho, quando questionada, continuou dizendo que estava tudo bem, tanto com ela mesma, quanto com o marido e com o filho.
No entanto, ela sabia que não estava tudo bem. Nós também sabemos. Mas, a sunamita devia ter seus motivos e só Deus sabia que ela estava sentindo.
Veja o que está escrito:
Chegando ela, pois, ao homem de Deus, ao monte, pegou nos seus pés;
mas chegou Geazi para retirá-la; disse porém o homem de Deus: Deixa-a, porque a sua alma está triste de amargura, e o Senhor me encobriu, e não me manifestou.
E disse ela: Pedi eu a meu senhor algum filho? Não disse eu: Não me enganes?
Em minha leitura do texto, percebo, além da tristeza e da amargura, certa indignação.
Entendo também que ela estivesse em seu direito porque, de fato, não havia pedido um filho ao profeta. Mas, no fim das contas sua fé foi recompensada.
O profeta Elizeu foi até à casa, intercedeu de modo que o menino ressuscitou e o entregou à sua mãe.
Caminhos de Fé para Recomeçar Após a Perda de Ente Querido
Veja que a sunamita percorreu um caminho de fé após a perda de seu filho. Apesar de se encontrar triste e amargurada, ela não ficou se lamentando. Pelo contrário, ela foi proativa.
Quando tudo parecia perdido, ela agiu de imediato e foi ao encontro do homem de Deus. Ela o questionou e insistiu. Em seu íntimo, ela sabia que alcançaria um milagre.
Quantas vezes, nós também não nos encontramos tal como a sunamita, triste e amargurada. Enfrentamos o luto, a perda de ente querido, problemas de saúde e a solidão. Pensamos que não tem mais jeito. Que está tudo perdido.
Há momentos em que nos encontramos com nossas lágrimas represadas dentro de nós. Tal como a sunamita, também dizemos que está tudo bem, quando sabemos que não está.
Mas nosso Deus é Deus de Providência. Ele sabe de nossa estrutura e conhece o mais íntimo de nosso coração. O Senhor trata nossa dor conforme nossa personalidade, que é única.
Quem sabe nesse momento, suas lágrimas estejam escorrendo suavemente, tal como a seiva do coqueiro que foi cortado. E por que o coqueiro chora? Já não há vida para prosseguir com a seiva.
Mas, lembre-se o que a Bíblia:
Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou.
Apocalipse 21:4:
Conclusão:
Em Eclesiastes 3, lemos que há um tempo para todo propósito debaixo do sol.
Talvez hoje suas lágrimas ainda estejam represadas, como a seiva daquele coqueiro que um dia vi na infância.
Mas Deus conhece cada lágrima, mesmo aquelas que nunca chegaram a cair. E chegará o dia em que Ele mesmo enxugará dos nossos olhos toda lágrima
Acima de tudo, precisamos ser gratas por tudo o que o Senhor tem feito em nossas vidas, pois a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável.
Um dia choramos, no outro sorrimos. Em tudo, enfim, damos graças a Deus, o Autor e Consumador da nossa fé.
Agora, vamos conversar:
Se você também está passando por um período de luto ou uma perda dolorosa, saiba que você não está sozinha.
Como você tem encontrado forças na sua fé para seguir adiante?
Deixe seu carinho e seu relato aqui nos comentários abaixo. Vamos nos apoiar em oração.
Um abraço fraterno!
Com carinho,
Vânia Mayre
🌼🌼
A minha alma descansa somente em Deus; dEle vem a minha salvação.” (Salmos 62:1
Que Deus abençoe o seu dia!



